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Afinal, que doença é essa?

A leishmaniose visceral canina (LVC) é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por protozoários do gênero Leishmania, que pode comprometer os mais diversos tecidos. Acomete mamíferos domésticos e silvestres tornando-os reservatórios. Na área urbana, o cachorro é o principal reservatório da doença entre os animais domésticos. A transmissão da Leishmaniose ocorre, normalmente, pela picada de fêmeas de mosquito palha (flebotomíneos) infectadas pelo protozoário. Atualmente, existem estudos que abordam a transmissibilidade por meio de uma espécie de carrapatos, além da transmissão venérea e da vertical (da mãe para os filhotes). Então, fique ligado e mantenha o seu melhor amigo com coleira repelente e carrapaticida sempre em dia, principalmente, se você mora em regiões rurais ou próximas a matas. A castração também é sempre uma ótima pedida, pois auxilia no controle populacional de cães abandonados, além de evitar casos de prenhez de fêmeas infectadas e assintomáticas.

Mitos e verdades

Cachorro transmite leishmaniose para pessoas?

Você já deve ter lido coisas horríveis digitando “leishmaniose canina” no google, não? Então, muitas pessoas acreditam que essa é uma doença que pode ser transmitida do cão para as pessoas, mas a verdade é que isso não acontece! A LVC, somente é transmissível a partir da picada de um vetor infectado ou ainda, entre os cães, por via venérea ou da mãe para os filhotes. De maneira nenhuma, você irá se infectar no contato direto com o cão portador da doença.

É necessário sacrificar animais infectados?

Outro ponto bastante delicado e muito difundido, erroneamente, é que animais infectados devem ser submetidos à eutanásia para o controle da doença. O extermínio dos animais infectados não influencia na difusão da doença. O que influencia é o controle e tratamento desses animais e a adoção de medidas protetivas (telas, locais sem acúmulo de matéria orgânica, repelentes, etc). O Brasil é o único país onde a eutanásia ainda é vista como medida de controle.

Quais os sintomas?

Os sintomas são extremamente inespecíficos, podendo ser confundidos com uma gama enorme de outras doenças. Alguns dos sintomas mais vistos são: o crescimento exacerbado das unhas, perda de peso, alterações na locomoção, problemas de pele crônicos e alterações hepáticas e renais.

Como deve ser feito o diagnóstico?

É importante que, diante da suspeita clínica de LVC, o veterinário peça exames confirmatórios. O primeiro passo seria solicitar exame sorológico quantitativo e qualitativo (ELISA E RIFI) para leishmaniose. Caso os resultados venham negativos, o próximo passo seria solicitar exames parasitológicos (citologia, cultura, IHQ, PCRRT) para o diagnóstico definitivo.

Meu cão tem leishmaniose! E agora?


Feito o diagnóstico, devemos partir para o tratamento. No Brasil, existe apenas um medicamento, de uso veterinário, que é aprovado para o tratamento, o Milteforan. Antes de iniciar o tratamento, é importante realizar alguns exames para saber o estado de saúde geral do animal. O tratamento inicial será feito durante 28 dias consecutivos e deve ter acompanhamento veterinário. Após esses 28 dias, o tratamento fará uma pausa (que poderá ou não vir a ser interrompida). O animal deverá repetir os exames feitos antes do início do tratamento após 4 meses. Caso ocorra qualquer novo sintoma antes desse período, o veterinário deverá ser contatado para adiantamento de exames e demais procedimentos necessários. O tempo de tratamento e repetição da medicação dependerá de cada animal e suas respostas ao tratamento.

É muito importante também salientar que todo animal infectado deverá fazer uso contínuo de coleiras ou medicamentos carrapaticidas e repelentes de uso tópico (que conste em bula sua indicação). Outra boa dica é a colocação de telas nas janelas de onde o cão reside, evitando o contato do animal infectado com os mosquitos transmissores (flebótomo). Importante: é necessário que a tela seja do tipo antiofídica porque outras não apresentam eficácia.

Meu cão tem leishmaniose, mas não tem sintomas. Devo tratar?

Sim, todo animal diagnosticado com leishmaniose deve ser tratado, pois essa é a única forma correta de diminuirmos a disseminação da doença tanto para humanos, quanto para outros animais.

Afinal, leishmaniose canina tem cura?

Não, a cura parasitológica da leishmaniose visceral canina não existe. O tratamento feito visa impedir a contaminação de outros animais ou de humanos, diminuindo a carga parasitária do protozoário nos tecidos do animal infectado. Com essa diminuição, haverá uma melhora nos sintomas da doença e esse animal poderá levar uma vida bastante confortável, desde que siga sempre sendo monitorado por um veterinário.

Existem outros meios de controle da doença além do tratamento dos animais infectados?

Para as pessoas, existem outros meios bastantes eficazes de prevenção da doença, como evitar acúmulo de matéria orgânica, usar repelentes (principalmente durante o anoitecer e o amanhecer), sempre que possível usar mangas longas e calça e manter a vegetação sempre bem aparada. Lembrando sempre que essas medidas, para serem eficazes, devem ser aplicadas em conjunto com as medidas sugeridas para os animais infectados.

Existe vacina?

Sim, existe uma marca de vacinas comercializada no Brasil, a Leish-Tec. Porém, a vacina não impede a infecção, ela induz a uma melhor resposta contra a infecção. Caso você tenha que escolher entre a vacina ou o uso de coleiras ou medicamentos repelentes tópicos para o seu cão, opte pelo segundo.

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